7 mitos médicos vistos à lupa

by Miguel Gomes on 22 22Etc/GMT-1 Fevereiro 22Etc/GMT-1 2008

Vivemos rodeados de mitos. Ouvimos e contamos, com ligeireza, factos que pensamos científicos. Com surpresa somos apanhados de vez em quando com estudos que vêm desmistificar o que há muito tínhamos aprendido.

É o caso destes 7 mitos médicos que o British Medical Journal resolveu analisar. Leiam e espantem-se!

Água: devem beber-se pelo menos oito copos de água por dia.
Procuraram no Medline, no Google, na imprensa científica e jornais diários. A melhor explicação que os médicos conseguiram encontrar para esta alegação é uma recomendação de 1945 que defende um limite máximo de 2,5 litros de água por dia. Com o tempo, omitiu-se a segunda parte da afirmação, que clarifica que grande parte desta água está nos alimentos, passando a ser interpretada como instrução para beber, pelo menos, oito copos de água por dia. Frederick Stare, o fundador do Departamento de Nutrição da Harvard’s School of Public Health veio mais tarde apoiar a mesma ideia. Mas o “fraco suporte científico” da recomendação do nutricionista foi contestado num artigo do American Journal of Phisiology por Heinz Valtin, a que os autores britânicos reconhecem maior validade.

lupa150x190.jpgSó usamos 10% do nosso cérebro.
Apesar dos enormes avanços na área da neurociência, a convicção de que só utilizamos uma décima parte do nosso cérebro tem-se mantido. As pesquisas efectuadas para este artigo do British Medical Journal fazem remontar o argumento ao início do século, quando se acreditava nas capacidades ilimitadas do ser humano. Hoje, as novas tecnologias de imagiologia permitem ir mais longe do estudo da função e actividade cerebrais, permitindo que a comunidade científica possa assegurar de que não existem áreas no cérebro inutilizadas. Todos os métodos utilizados para explorar o cérebro, incluindo estudos metabólicos, não identificaram áreas “adormecidas” nem os ditos 90% inactivos.

Depois de morrermos, cabelo e unhas continuam a crescer.
A imagem mórbida dos cabelos e unhas de cadáveres a crescer no caixão pode resultar em filmes, mas falha em rigor médico. O antropólogo forense William Maples garante que a ideia é um mito, mas admite uma base biológica para ele. Como o perito e muitos dermatologistas explicam, a desidratação do corpo pode provocar um recuo da pele, criando a aparência de que cabelo e unhas estão mais compridos.

Rapar o cabelo/pelo faz com que ele cresça mais rápido, mais grosso e mais escuro.
É um mito sem fundamento, com forte evidência científica a desacreditá-lo. O estudo mais antigo a negar a ligação entre cortar cabelo e o ritmo do seu crescimento é de 1928; vários surgiram entretanto a suportar a mesma tese. A terminação do cabelo (e do pelo) rapado não tem a mesma suavidade do não-rapado, podendo criar a ilusão de que é mais grosso. Explicam também os cientistas que se o novo cabelo em crescimento parece mais escuro, isto pode dever-se ao facto de não ter estado ainda exposto ao sol e aos químicos existentes no meio ambiente.

Ler com pouca luz pode prejudicar os olhos.
Apesar de muito difundido, este mito não tem repercussão junto dos profissionais de oftalmologia. De facto, ao ler num ambiente com pouca luz, a visão é submetida a um esforço maior, podendo tornar a focagem mais difícil e diminuir a quantidade de vezes que o olho pestaneja, o que seca a córnea e causa desconforto ocular. Mas os efeitos não são permanentes e nem a função nem a estrutura dos olhos são afectadas por esta atitude.

Comer peru causa sonolência.
A hipótese resulta do facto do peru conter triptofano, aminoácido envolvido no processo do sono e relacionado com os distúrbios de humor. Existem até fórmulas à base de triptofano para ajudar a adormecer. Só que a quantidade existente no peru não é assim tão significativa (cerca de 350 mg por 115 g), e os alimentos que se ingerem como acompanhamento contribuem para diminuir a absorção e minimizar o efeito. Ou seja, não conte com o peru para lhe curar as insónias, a não ser que abuse do vinho. Não tardará a descobrir que a sonolência induzida pelo álcool não é um mito… mas nenhum médico recomenda o seu consumo com estes objectivos.

Telemóveis causam interferência magnética nos hospitais.
É verdade, existem relatórios de incidentes relacionados com a utilização de telemóveis em hospitais (falsos alarmes em monitores, leituras incorrectas em monitores cardíacos, falhas de funcionamento). A partir do momento que o Wall Street Journal fez capa desta possível ligação, gerou-se o alarmismo que fez com que muitos hospitais banissem a utilização de telemóveis nas suas instalações. O artigo do British Medical Journal não consubstancia estas suspeitas. De acordo com estudos britânicos, apenas 4% dos aparelhos reagiram aos telemóveis quando colocados a menos de um metro de distância. E só 0,1% dos incidentes revelaram efeitos graves. Um estudo de 2007 descreveu ainda como o uso “normal” de telemóveis não interferiu com 300 testes, efectuados em 75 salas de tratamentos.

Fonte: performance.pt 

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